Uso sustentável da água: outorga de uso dos recursos hídricos

A outorga de direito de uso dos recursos hídricos é um instrumento legal de concessão de uso das águas que são de domínio da União ou do Estado, conforme art. 20, inciso III e 26, I da Constituição Federal. Todo uso ou intervenção em corpos de água, como captação e lançamento de efluentes, deve ser administrado pelo poder público através da outorga ou de outros mecanismos, estabelecidos pela Política Nacional de Recursos Hídricos, Lei No 9.433 de 8 de janeiro de 1997 regulamentada em 2001 pela Resolução no 16.

A outorga é necessária para administrar o uso da água, por este ser considerado um bem de todos, além de regular o uso de um recurso natural limitado, de valor econômico e que, portanto, deve ser gerido pelos órgãos públicos para garantir a distribuição igualitária com alocação qualitativa e quantitativa entre os diversos usos e usuários. A gestão pela outorga também garante o direito de uso da água por tempo determinado para uma ou mais atividades definidas, estando passíveis de condicionantes, e assegurando a disponibilidade hídrica do corpo d´água e compatibilização com a demanda.

Os corpos d´água são classificados, através de lei, de acordo com a qualidade das águas e sua destinação de uso, para que assim sejam asseguradas as medidas preventivas permanentes de poluição hídrica.


Os objetivos que requerem a outorga devem estar enquadrados, segunda a Política Nacional de Recursos Hídricos, em:

a) Derivação ou captação de parcela do corpo hídrico para consumo final, inclusive abastecimento público, ou insumo de processo produtivo;

b) Extração de água de aquífero subterrâneo para consumo final ou insumo de processo produtivo;

c) Lançamentos em corpo de água de esgoto e demais resíduos líquidos ou gasosos, tratados ou não, com o fim de sua diluição transporte ou disposição final;

d) Aproveitamento dos potenciais hidrelétricos;

e) Outros usos que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade da água existente em um corpo de água.

A competência para concessão da outorga de direito de uso dos recursos hídricos pode ser delegado aos Estados, Municípios e ao Distrito Federal pelo Poder Executivo Federal, contato que estejam aptos a gerir os recursos hídricos. A Agência Nacional de Águas (ANA) é órgão federal responsável pela outorga de corpos d´água e reservatórios que abrangem mais de um Estado, estão no limite entre estados ou em fronteiras com outros países, pois são recursos hídricos de domínio União. Cabe a essa agência celebrar convênios, financiar e contratar serviços para realizar as atividades que lhe cabem. As águas subterrâneas e superficiais de corpos d´água que tem sua nascente e foz em apenas um estado são consideradas de responsabilidade estadual, sendo o respectivo órgão do Estado competente pela sua outorga.

No Estado de São Paulo, a outorga é controlada pelo Departamento de Água e Energia Elétrica – DAEE, instituída e regulamentada pelo Decreto 41.258 de 1996. Segundo este órgão, a outorga é necessária à todos que: na implantação de qualquer empreendimento que demande a utilização de recursos hídricos (superficiais ou subterrâneos); na execução de obras ou serviços que possam alterar o regime (barramentos, canalizações, travessias, proteção de leito, etc.); na execução de obras de extração de águas subterrâneas (poços profundos); na derivação de água de seu curso ou depósito, superficial ou subterrâneo (captações para uso no abastecimento urbano, industrial, irrigação, mineração, geração de energia, comércio e serviços, etc.); no lançamento de efluentes nos corpos d’água. Lembrando que, nos Estado de São Paulo, alguns desses usos precisam, além da outorga, a licença ambiental emitida pela Companhia Ambientla do Estado de São Paulo – CETESB.

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SGA: um dos caminhos para sustentabilidade – parte 2

Como abordei no post passado e no anterior, Sustentabilidade e a Padronização pela ISO, um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) é um mecanismo pelo qual organizações podem se adequar frente às questões ambientais relativas ao produto, serviço e processo industrial. Através desse sistema, há a garantia de cumprimento da legislação, pois este é um dos fatores exigidos para que a empresa receba a certificação, neste caso, da ISO 14.001.

A utilidade da implantação de SGA pode ir além da sua aplicação usual: pode servir de base para estruturar práticas de sustentabilidade. Em SGA: Um caminho para sustentabilidade – parte 1 citei três exemplos de como isso pode ser feito, os quais são:

  • garantia de um ambiente de trabalho sadio aos colaboradores e em conformidade com os requisitos ambientais, tais como ruídos, odores e qualidade do ar;
  • avaliação de produtos e fornecedores, permitindo verificar se estão de acordo com a missão e valores da organização;
  • estabelecimento de uma logística verde, através do controle das emissões de poluentes atmosféricos, vida útil do produto, favorecendo o comércio local e analisando suas rotas de distribuição do produto ou serviço e frota usada.

Dentre outras condutas que podem direcionar o desenvolvimento da cultura de sustentabilidade e que podem ser baseadas no SGA são:

Práticas e políticas sustentáveis

Uma das etapas iniciais da implementação de um SGA é o diagnóstico inicial seguido da definição do escopo e da Política Ambiental. Feito esse levantamento, você está com a faca e o queijo na mão! Sabendo onde está, para onde quer ir e qual caminho quer tomar, fica fácil para a organização definir as práticas e políticas sustentáveis que irá adotar e planejar quais serão as etapas envolvidas para chegar onde deseja.

Análise dos processos, serviços e produtos

Sendo objetivo da sustentabilidade a busca do equilíbrio econômico, social e ambiental, como já abordei no post Você realmente sabe o que é sustentabilidade?, nada melhor que rever seus processos, produtos e serviços para buscar esse ideal. Através da análise de relevância, importância e risco de cada um desses itens é possível que se descubra como cortar custos, agregar valor à mão-de-obra, oferecer um ambiente de trabalho mais seguro, mudar a forma de produção do produto ou oferecimento de um serviço reduzindo o consumo de recursos naturais e impacto ao meio ambiente, dentre outros.

Consciência ambiental, social e econômica

Com a análise de competência que deverá ser realizada com todo pessoal envolvido no SGA, levantando informações sobre o nível educacional, treinamentos e experiências profissionais, pode-se identificar os pontos exatos que requerem atenção para a conscientização ambiental, social e econômica. É através dessa conscientização que os colaboradores poderão desenvolver suas competências para realizar suas atividades de forma adequada ao novo perfil da organização.

 

É importante enfatizar que não basta a organização ter a ISO 14.001 implementada e credenciada para ser considerada sustentável. O que ela terá com a ISO é um Sistema de Gestão Ambiental reconhecido e atestado pelo órgão responsável. Mas a idéia de usar esse sistema,  é apenas uma indicação de começo, um pontapé inicial para adoção de uma estratégia ruma à sustentabilidade!

O principal, antes de tudo, é o comprometimento da alta direção da organização com a causa e, em seguida, a escolha da melhor alternativa que irá adequar as atividades organizacionais aos ideais sustentáveis.

 

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SGA: um dos caminhos para sustentabilidade – Parte 1

Para quem já ouviu falar mas não faz ideia do que seja, o Sistema de Gestão Ambiental (SGA) pode ser definido, de acordo com a ISO 14.001, em um conjunto de normas que fornece às organizações elementos eficazes para direcionar e auxiliar a busca dos objetivos ambientais e econômicos através do cumprimento dos requisitos de gestão. Esse conjunto de normas compreende a série ISO 14.000, sendo a principal delas a ISO 14.001: Sistemas de gestão ambiental – Requisitos com orientações para uso.

A adoção e implementação do SGA pode trazer inúmeros benefícios para uma organização, mas é preciso um total comprometimento de todos envolvidos, em especial da alta direção, assim como um plano de ação em busca da sustentabilidade institucional.

Dentre os benefícios e motivos que levam a adoção da ISO 14.001, alguns são:

  • Melhoraria da reputação pela demonstração da preocupação com desempenho ambiental;
  • Comprometimento com a conformidade legal e regulatória;
  • Aumento nas possibilidades de parcerias com clientes e fornecedores;
  • Garantia transparência com stakeholders;
  • Gerenciamento e prevenção de riscos e passivos ambientais;
  • Gestão de uso e disposição de recursos;
  • Promoção da melhoria contínua – Planejar, Fazer, Checar, Agir (PDCA – do inglês Plan, Do, Check, Act).

Além da certificação, ou adoção da cultura da qualidade em alguns casos, é possível aproveitar a oportunidade e usar os mecanismos da ISO 14001 para desenvolver a cultura da sustentabilidade também! Como? Veja a seguir.

Ambiente de trabalho

Há normatização e leis que estipula limites para ruídos, odores, qualidade do ar e da água, classificação e disposição de resíduos, dentre outros, que garantem não só a preservação ambiental como a saúde do trabalhador;

Negócios sustentáveis

Alguns dos itens do SGA são a determinação das responsabilidades da empresa, controle operacional e registro de compras e fornecedores. Sendo assim, a organização pode avaliar cada produto que compra e cada fornecedor verificando se são compatíveis com os seus ideiais. Ao migrar essa cultura para a sustentabilidade pode englobar nas definições e análises os critérios sustentáveis que a empresa deseja adotar.

Logística verde

Um item que também pode ser considerado é a logística de compra e distribuição, favorecendo o comércio da região e de empresas menores, que sem dúvida, contribuem para a sustentabilidade social local.

Além disso, o controle de emissão de poluentes, matéria-prima usada e vida útil do produto permitem que seja feito um plano de ação englobando mudança dos recursos usados, se possível, e medidas mitigatórias da poluição. Para esses itens existem as normas ISO 14.064, com diretrizes para contabilização de gases de efeito estufa, e a ISO 14.040 a 14.49 que trazem diretrizes sobre Análise de Ciclo de Vida (ACV)

Nos itens anteriores estão apontadas algumas das relações que podem ser de interesse geral, sendo que para cada tipo de negócio existem muitos outros fatores a serem considerados e que podem ser específicos do setor. Assim como a série ISO 14.000 possui normas específicas para diversos itens ambientais. Portanto, é difícil cobrir todas as possibilidades neste post.

No próximo abordarei mais aspectos do SGA e da ISO 14.001 relacionados à aplicação da sustentabilidade na sua organização.

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Sustentabilidade e a Padronização pela ISO

Esses dias atrás, durante aula da especialização que estou fazendo, caiu minha ficha de que a implementação de ISOs e a transformação de uma empresa em sustentável podem estar diretamente relacionadas. Como? Isso é o que vou tentar explicar nos parágrafos a seguir. Mas vamos começar aos poucos, primeiro você precisa saber o que é uma ISO.

Desde o início do século 20, começou a surgir a necessidade de padronizar diferentes atividades, para que empresas localizadas em diferentes regiões, estados ou países falassem a mesma língua. Após alguns anos, foi criada uma organização internacional para produzir tais diretrizes, a qual recebeu o nome de Organização Internacional para Padronização (do inglês Internacional Organization for Standardization) e a sigla ISO. A derivação da sigla é para ser usada sempre da mesma forma em qualquer idioma e por isso não veio do nome em inglês, mas sim do grego isos = igual, refletindo a idéia de padronização da própria organização.

A padronização de atividades faz com que se tenha qualidade, segurança, eficiência, confiança e outras características específicas desejadas. Mas além disso, faz com que você precise ter tudo bem documentado, permitindo que todos os processos envolvidos sejam analisados.  Algumas ISOs abordam a gestão da qualidade de serviços, dos produtos, de procedimentos, da fabricação, de condutas, de estabelecimentos, ambiental, dentre outros.

É essa cultura das ISO que proporciona uma adequação da empresa, instituição ou qualquer organização com os ideiais da sustentabilidade. Uma vez que se pode contabilizar e analisar tudo que faz parte de uma atividade, pode-se também tomar atitudes sustentáveis: cortar o desnecessário, rever os custos, administrar as perdas e erros, aumentar a eficiência, avaliar os fornecedores, e assim por diante.

Nos próximos posts, vou abordar algumas ISOs de forma mais específica e caracterizar suas contribuições com uma empresa sustentável. Aguardem e confiram…

 

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Você realmente sabe o que é Sustentabilidade?

A palavra sustentabilidade vem sendo usada por muitas pessoas, em diversas mídias e inclusive para marketing de organizações. No entanto é preciso ter cuidado, pois muitos desses usos não são fiéis ao verdadeiro sentido da palavra.

Sustentabilidade vem de sustentável, que por sua vez vem de sustentar. De acordo com o mini-dicionário Aurélio sustentar significa: “1. Segurar para que não caia; suster, suportar. (…) 4. Resistir a. 5. Conservar, manter. (…) 8. Impedir a ruína ou queda de. (…)” , sendo que os outros significados são relacionados a outro uso da palavra. Usando esses significados, vou desenvolver minha visão sobre sustentabilidade que acredito ser compartilhada por quem realmente sabe o que é.

Da forma em que é usada hoje, sustentabilidade não é só uma palavra, mas sim um conceito amplo que está apoiado na busca pelo equilibro social, econômico, cultural e ambiental. Na prática, a sustentabilidade consiste em ter um desenvolvimento economicamente viável, capaz de conservar o meio ambiente e atingir toda população, sem descriminação ou exclusão.  Ser sustentável, é a busca da garantia em ter que o meio ambiente estável, os seres vivos saudáveis, os negócios financeiramente viáveis e as relações com qualidade, porque se um deles está em déficit todo o resto é afetado.

 

Figura 1. Bases da sustentabilidade: os meios social, ambiental e econômico, os quais podem ser unidos formando vertentes sócio-ambiental, sócio-econômico e ecoeficiência.

Para que isso ocorra, podemos adotar algumas atitudes:

- Tratar pessoas com igualdade, respeitando seus direitos e opiniões;

- Ter equilíbrio social proporcionando escola, saúde, transporte, alimentação, moradia, dentre outros, com qualidade e que realmente funcionam;

- Ter uma economia estável e igualitária;

- Desfrutar da livre expressão e interagir com diferentes culturas;

- Preservar o meio ambiente para que possamos continuar tendo água para consumo, solo para plantar e ar para respirar.

Um dos problemas com o conceito de sustentabilidade é que o descaso através do uso indiscriminado e incorreto. Ter um símbolo de uma planta na embalagem do produto ou plantar árvores não faz uma organização ser sustentável. É preciso comprometimento de conduta com as bases da sustentabilidade.

Ser sustentável não é um status, mas sim uma busca constante em atingir o equilíbrio econômico, social e ambiental!

 

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Mundo, cheguei!

Olá Leitores,

Sejam bem-vindos ao Entender para Preservar!

Esse é um blog para discutir assuntos relacionados ao meio ambiente presentes no dia-a-dia das pessoas e das organizações, esclarecendo, principalmente, conceitos usados de forma errônea e banal.

Espero que gostem e se sintam em casa.

Marjorie Rodrigues

 

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